EPOPEIA DE GILGAMESH
Esta obra literária considerada a mais antiga, criada pelo homem, é uma epopeia épica que foi escrita e baseada em lendas, histórias e mitos, que tiveram como berço a civilização suméria. Deste modo a religião e os valores espirituais desta civilização pré-clássica estão intrinsecamente patentes no conteúdo e desenvolvimento da história, nos personagens, e no ensinamento espiritual e moral desta epopeia, Mas não esquecendo também o cariz histórico de alguns factos reais, que nos levam a conhecer o passado desta antiga civilização, e a aceitação e difusão desta obra pelos povos subsequentes aos sumérios: como os acádios, assírios e babilónicos, sendo assim uma obra de importância histórica e espiritual para os povos da mesopotâmia.
O personagem principal, o herói da epopeia, é baseado na figura de Gilgamesh, que foi o quinto monarca da I dinastia pós – diluviana, e fundador da cidade de Uruk, que reinou na primeira metade do III Milénio a.C.
A primeira versão desta obra chega-nos escrita em sumério (em escrita cuneiforme), e segundo algumas fontes á cerca de 2.600 anos a.C. sendo provavelmente difundida anteriormente por via oral através de gerações, os acádios transcreveram-na e deram-lhe um cariz literário, mas a versão mais completa, a versão assíria, foi descoberta entre 669-626 a.C. na biblioteca de Assurbanipal, pertencente ao último grande rei assírio, e chega-nos em doze tabuletas.
Apesar de se ter registado a existência de variações na tradução da narração desta epopeia na bibliografia consultada, passa-se a citar resumidamente as principais sequências narrativas. | Gilgamesh |
A Epopeia relata-nos a existência de Gilgamesh, um rei déspota e cruel, descontentes com o seu rei, o povo pede á deusa Arunu que crie um homem que lhe faça frente, acedendo ao pedido, a deusa cria a partir de lama, e criado entre os animais selvagens, o Enkidu. Este ultimo, entra em confronto com o rei, (não se sabendo ao certo quem triunfou), acabam por se tornar amigos, e ambos passam a combater juntos inimigos mitológicos, em que se salienta a Ishtar, deusa dos bosques. Esta deusa acaba por se enamorar por Gilgamesh embora este não lhe corresponda, enfurecida, Ishtar envia o touro do céu para destruir o rei e a sua cidade, mas Enkidu derrota o touro, então a deusa lança uma maldição sobre este, que acaba por morrer doente.
Desgostoso com a morte do amigo, Gilgamesh inicia uma viagem com o intuito de procurar Utamapishtim, o único sobrevivente do dilúvio e detentor do segredo da imortalidade, (possivelmente para ressuscitar Enkidu); quando o encontra este lhe revela que o tesouro da imortalidade se encontra no fundo do mar, materializado numa planta marinha, Gilgamesh lança-se nas profundezas das águas e encontra a planta, no regresso a casa, uma serpente aproveitando uma distração rouba-lhe a planta, assim se perde o tesouro, a serpente podia agora mudar de pele e continuar a viver e o “HOMEM” perde o segredo da imortalidade e continuará a ser mortal para toda a eternidade.
Em conclusão, encontramos nesta obra poética um paralelismo entre o real e o imaginário, entre a fé e o milagre, e mistura o mito com a realidade. Possivelmente o mito serviu para eternizar um rei que teve uma existência real, talvez esta epopeia tenha sido encomendada por este, para atingir esse mesmo fim.
De salientar a semelhança entre as narrativas bíblicas e o conteúdo histórico desta obra, (a mesma localização entre o rio Tigre e o Eufrates, e os judeus serem oriundos da baixa Mesopotâmia), esta obra universal da literatura e difundida na antiguidade. É um hino ao mito, deste modo termino com uma citação de Kluger[1],”...assim também os mitos , podemos presumir, estão relacionados ao estado coletivo da consciência de determinada era da historia.”
A EPOPÉIA DE GILGAMESH, Trabalho apresentado à disciplina de História Antiga, no curso de História da UCDB, sob orientação do Prof. Ms. Neimar Machado de Sousa, (consultado em 20-12-11) http://www.ampulhetta.org/textos/gilgamesh.pdf.
Os Pilares Basilares da Antiga Civilização Egípcia
A monarquia egípcia deveria ser vista, não como uma instituição, ou um regime político, mas uma doutrina religiosa, o faraó era considerado pelos seus súbditos como um Deus, ou o Hórus de ouro, e a partir da V dinastia foi-lhe acrescentado o titulo de filho de Ré, descendente do Deus solar Ré.
Na administração, o país estava dividido em distritos, ou nomos, na totalidade de 42 e agrupados em dois territórios, o Alto Egipto e o Baixo Egipto. Cada nomo era administrado por um governador, ou (príncipe do nomo), estes eram como pequenos estados inseridos noutro estado.
Na administração geral do país, desde a Época Tinita até á XVIII dinastia, o vizir era o intendente geral do reino, que tinha como funções, o governo de todo o Egipto e administração da justiça. Este cargo era de tal modo conceituado que respondia apenas perante o faraó. A sala de audiências onde o vizir tomava as decisões judiciais como, “a sala das duas Maet”, ou seja, o poder de justiça e a sua aplicação que o vizir detinha, poderão entender-se como emanada diretamente da deusa Maet, deusa da justiça e do equilíbrio. Este é um exemplo de que a religião estava presente em todos os atos da vida egípcia.
Outra característica da antiga civilização egípcia foi o uso da escrita e a sua evolução, a partir da XII dinastia para reforçar a imagem do Faraó, que no I Período Intermédio foi enfraquecendo, recorreu-se a textos e inscrições para se entrar num sistema de literatura orientada para exaltar a monarquia e o sistema.
Este é um exemplo de que a escrita na época da antiga civilização egípcia foi usada pelo sistema político para propaganda, mas esta também foi usada amplamente em textos religiosos e utilizada pelo aparelho do estado nas suas funções. Escrita esta que começou por ser figurativa, mas os seus caracteres hieroglíficos foram-se alterando e a escrita evoluiu para uma escrita cursiva ou hierática, que a partir do séc. X a.C., começou a ser utilizada em textos religiosos. Outra variante desta evolução foi a escrita demótica, esta mais usual na administração pública.
Não podemos dissociar a importância da escrita do não menos importante cargo de escriba, esta função na sociedade egípcia era muito conceituada, pois detinham o saber e estavam preparados para desempenhar funções no estado e autoridade. Inicialmente as escolas dos escribas estavam ligadas á corte, mas generalizou-se aos templos e as instituições ligadas á administração publica também as possuíram com a finalidade de preparar futuros quadros.
Neste contexto, de existência deste binómio, escrita e escola de escribas, desenvolveu-se naturalmente a literatura, que foi tomando lugar importante na cultura Egípcia da Antiguidade, os primeiros textos literários, remontam ao princípio do III milénio com os textos das pirâmides, (inscrições gravadas nas câmaras subterrâneas da pirâmide de Unas), textos estes que recorreram à técnica do paralelismo. No Império Antigo, outros géneros literários nos chegaram, como: os hinos de louvor aos deuses e diálogos mitológicos, e a literatura sapiencial, que não são mais do que a transmissão de conhecimentos entre gerações, e as biografias. No I período intermédio, podemos destacar a obra clássica “o ensinamento de Kheti III” destinada ao filho Merikaré. no Império Médio, o teatro e a biografias romanceadas, e a literatura pessimista (o diálogo do desiludido) são géneros literários que se evidenciaram. No Império Novo, as obras que exemplificam a literatura desta época destacam-se o poema de Pentaur, sobre a batalha de Cadesh, e inserido na literatura sapiencial, o ensinamento de Anii, e o ensinamento de Amenemope, também de referir o hino a Aton de Akhenaton, e o poema amoroso de Amenófis IV, dedicado á sua esposa Nefertiti.
Em síntese, a literatura teve uma grande influência na cultura antiga egípcia, e é através dela que nos chega o conhecimento sobre esta apaixonante civilização, os seus usos e costumes, pensamentos e religião, que foram gravados em Hieróglifos nas pedras tumulares ou em papiros.
Bibliogafia:
TAVARES, Antonio Augusto , CIVILIZAÇÕES PRÉ-CLASSICAS, Universidade Aberta, 1995.



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