sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O islamismo radical e o contexto político internacional após o 11 de Setembro.


O 11 de Setembro foi o culminar e em certo sentido o despertar do mundo ocidental para uma ameaça real, o terrorismo internacional levado a cabo por organizações radicais islâmicas que se estruturam de tal forma que passaram a atuar em ações terroristas internacionais, como forma de combater o inimigo, o Ocidente liberal e na óptica destas organizações, o imperialismo ocidental, pois a luta interna nos países e contra governos muçulmanos moderados, que apoiados pelo mundo ocidental, está a dificultar o objetivo de se implementar uma politica ideológica e religiosa, radical, e a tentativa de revoluções nos países árabes com o intuito de colocar governos radicais islâmicos nestes mesmos países para a formação de uma unidade geográfica abrangente do mundo islâmico e uma unidade civilizacional muçulmana (pan - islamismo) que se contraponha á civilização ocidental que na visão destes grupos radicais, são uma civilização decadente e imoral e não servindo os valores islâmicos. Uma pergunta que se impõem é, porque surgiram estes grupos radicais islamitas?

Uma das razões serão por dificuldades económicas em alguns dos países islâmicos que produzem classes mais desfavorecidas e que ficam á mercê de ideologias mais radicais e onde estes grupos radicais encontram apoio e militantes para a sua causa, outra razão será a existência de governos corruptos, ditaduras militares ou civis, mas que por razões de interesse ocidental continuam no poder apoiados pelo mesmo. Um outro facto será a existência de um país como Israel que subsiste com o apoio dos Estados Unidos e seus aliados numa região do globo onde a maioria dos países islâmicos vizinhos considera Israel como inimigo comum e que se não fosse o apoio ocidental provavelmente teria sido aniquilado, a sua própria existência consiste num fator agregador do mundo islâmico pois existe um inimigo comum, e o apoio americano é visto como uma ingerência imperialista.

Mais dois fatores se juntam aos atrás referidos; ressentimentos históricos, a memória histórica coletiva islamita da existência de um grande Imperio muçulmano que no passado existiu entre os séculos VI e XII, e ressentimentos provenientes da colonização europeia que abrangeram muitos dos países muçulmanos, e atualmente para estes grupos extremistas, os Estados Unidos da América são os herdeiros dos ímpetos colonialistas europeus e dos seus valores liberais ocidentais. Outro facto importante é a visão política destes grupos radicais que na sua ideologia e forma de pensar o Estado político, onde as leis dos países muçulmanos devem ser constituídas á luz das leis e valores da religião islâmica ou seja o Estado não pode ser separado da religião, ao contrário do que se passa nos países ocidentais que são Estados seculares.

 Em suma, estes são os fatores que na leitura no ensaio de João Marques de Almeida originam o pan-islamismo mas não confundir com a religião muçulmana, nem com civilização islâmica, mesmo neste movimento, haverá a ala moderada e a ala radical e fundamentalista e será desta última que derivam os movimentos radicais extremistas que organizados em células terroristas internacionais e com apoio de governos islâmicos mais radicais praticam atos terroristas como forma de luta armada na sua posição de combate aos valores ocidentais e imposição ao mundo islâmico de valores políticos e religiosos radicais. O 11 de Setembro chamou a atenção do mundo ocidental, não apenas para o ataque terrorista e por perdas de vidas humanas lamentável como qualquer outro deste género, mas essencialmente pelo ato politico e de propaganda, pois os alvos escolhidos representaram um ataque á principal potência ocidental e dentro das suas próprias fronteiras, e representaram ataques á sua forma de governo politico, á sua economia e finanças e á sua principal organização militar, No geral aos valores ocidentais liberais e sua ambição de universalizar estes valores á escala global. O mundo islâmico é um modo civilizacional e espiritual diferente do ocidental, há que respeitar essa diferença na nossa opinião. Uma questão em aberto até que ponto a necessidade de recursos energéticos, por parte dos países ocidentais, e existentes nas regiões muçulmanas, serão um fator de afastamento destas duas visões de estar no mundo, e o seu continuado afastamento?

Bibliografia

ALMEIDA, João Marques De – o pan-islamismo radical e a ordem internacional

        Politica, nação e defesa, de Maastricht a Nova Iorque, desafios á coesão

       Europeia, nº 100-inverno-2001, 2ªserie, Instituto da defesa nacional, revista

       Trimestral, pp.107 - 120.

 

INFOPÉDIA [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. [Consult. 2013-05-

      16].Disponível na www: http://www.infopedia.pt/lingua-portuguesa.

 

RÉMOND, René- Introdução À Historia do nosso Tempo, Do Antigo Regime Aos  Nossos Dias,4ª ed., Lisboa, Gradiva, 2011, (1ª ed.1994) 

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