HISTÓRIA DA IDADE MÉDIA

O FEUDALISMO E A SUA EVOLUÇÃO AO LONGO DA IDADE MÉDIA

O feudalismo, e a importância deste tipo de relacionamento social entre os homens de toda a Idade Média, foi a fórmula utilizada para a constituição da sociedade medieval e o respectivo escalonamento social.

Em que condições e que fatores históricos se conjugaram para que o feudalismo e as relações feudo-vassálicas fossem eleitas, o tipo de articulação social na Idade Média?

O feudalismo teve como cenário histórico o desmoronamento do Império Romano, de onde surgiu a Época Merovíngia. As comunidades das aldeias necessitavam de proteção e segurança, numa época conturbada e violenta, o estado não a poderia assegurar, nem a linhagem direta o poderia fazer devido á sua fragilidade. Neste contexto os mais fracos socialmente procuravam proteção junto dos mais poderosos, estes por sua vez, para garantir prestigio, riqueza e segurança não negavam o apoio de inferiores, assim começou a instituir-se um vasto sistema de relações pessoais, que foi transversal a toda a sociedade.
 

                                               
Estas necessidades individuais terão estado na génese do nascimento do feudalismo e dos seus componentes que eram: os laços vassálicos (o contrato) e o feudo (a garantia económica do contrato).

Inicialmente este tipo de relação social terá sido usado para fins militares, onde os senhores necessitavam cada vez mais de poderio bélico e através dos laços vassálicos aumentaram as suas hostes militares, para o vassalo era um meio de se dedicar às honradas funções militares, servindo o seu senhor e em troca recebia os rendimentos do feudo, por troca dos seus serviços para necessidades económicas e ascensão social. Este intercâmbio de relações era muito usual entre a nobreza, já esta fórmula aplicada aos camponeses e homens que se dedicavam á agricultura não seria tão equilibrada e traria maiores vantagens aos senhores feudais. De salientar que este sistema feudal tinha como base a posse da terra, e quanto maior fosse a posse de terras maior seriam os poderes económicos, militares e prestigio do senhor, que deste modo chamaria a si um número maior de vassalos influentes na hierarquia social da nobreza. Inclusive o poder régio serviu-se deste sistema social, para implementar o seu poder a nível estatal e mesmo imperial, como foi o caso do Império Carolíngio, que incentivou o feudalismo como prática para cimentar o poder central a todo o império.

Terá sido nestes moldes e muito resumidamente que o “feudalismo clássico” foi o sistema social implementado desde séc. X ao séc. XI, Debrucemo-nos agora sobre os factores que originaram uma evolução do feudalismo clássico, que culminaram num feudalismo diferente, e a diminuição da sua importância para a vida social do séc. XIII, e a chave desta transição encontram-se na mudança das relações feudo-vassálicas e na alteração e concessão dos feudos.

O surgimento de uma aristocracia, que em parte foi formada pelo feudalismo clássico, começou a representar um estatuto social forte, que rivalizava com a velha nobreza, esta aristocracia começou por usar outros instrumentos de ascensão social e sem recorrer á submissão por vassalagem a um senhor de sangue nobre, através de ocupação de cargos públicos concedidos pelos monarcas, e em troca recebiam títulos de nobreza sem recorrer a nenhuma relação feudal. Os casamentos de elementos desta aristocracia com filhas de nobres também tiveram um papel importante na obtenção de estatutos de nobreza.

O aparecimento de estatutos sociais, como os cavaleiros em França e Inglaterra, que obtinham ganhos com o serviço de cavalaria, junto dos Reis, e abaixo destes o estatuto de “sargentos”, senhores locais sem recorrerem a laços feudais, os ministereales da Germânia, Lotaríngia e da Flandres, a quem eram dadas responsabilidades pelos Reis e Igreja, e na França, os castelões que tinham também responsabilidades semelhantes. Outro factor importante foram as cruzadas que concediam prestigio. A noção de cavaleiro cruzado captou e aliciou muitos aristocratas que através da “ guerra santa “ poderiam alcançar o mesmo, ou mais do que se submetessem como vassalos de um senhor nobre. Assim por estes factores, os laços militares feudais do feudalismo clássico evoluíram para um feudalismo fiscal e governativo de forma a concorrer com novos meios de ascensão social do séc. XII e séc. XIII da Idade Média.

O feudo como “garantia económica” nas relações feudo-vassálicas também sofreram alterações no seu conceito original, desde a sua transição entre as várias trocas, de senhor para vassalo, ou a concessão de um feudo, não através de terras, mas por direitos de cobrar portagens ou pagamentos anuais em dinheiro que eram muito habituais no séc. XII no noroeste da Europa.

Em conclusão por todos estes factos e outros que numa breve síntese seria difícil enumerá-los a todos, mas na minha opinião também gostaria de salientar algumas alterações a nível económico, que penso também contribuíram para a alteração e evolução do feudalismo como sejam: algumas novas técnicas agrícolas e novos utensílios utilizados na agricultura que aumentaram os rendimentos das classes inferiores. A alteração da demografia que registou uma expansão da população que se começou a concentrar em cidades, e o ressurgimento nessas mesmas cidades de actividades económicas que começaram a ter um papel mais importante na economia da Idade Media, como sejam: a actividade comercial e a actividade manufactureira. Sendo assim a economia começou a dividir-se, entre a agricultura dos grandes feudos senhoriais e uma nova economia que emergia das cidades.

Por estes motivos o feudalismo clássico baseado nas relações “o homem do homem” em que a honra de servir militarmente o senhor que providenciava segurança pessoal e económica, evoluiu para um feudalismo de objectivos económicos, em que o senhor tentava tirar o máximo partido da sua posição dominante para acumular riqueza e poder, e não sendo equitativo a evolução no sentido de uma melhoria na condição de vassalo. 

Bibliografia:

BLOCH, Marc. A sociedade feudal, Edições 70, Lisboa. 

BONNAISSE, Pierre. Dicionário de Historia Medieval, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1985.

CLARAMUNT, S., PORTELA, E., GONZALEZ, M., MITRE, E. História de la Edad Media, 2ª ed., 5ª reimpr. , Ariel História, Barcelona, 2003.

GANSHOF, F.L. Que é o feudalismo. (Trad., Jorge Borges De Macedo), 4ª ed., vol. Saber, Publicações Europa América, Lisboa, 1976.

NICHOLAS, David. A evolução do mundo medieval, sociedade, governo e pensamento na Europa: 312-1500, Publicações Europa América, Lisboa.

FOURQUIN, Guy.  História económica do ocidente medieval, Edições 70, Lisboa, 1991.


 “AS CRUZADAS: FRACASSO OU SUCESSO?”
 




            Para responder á pergunta-tema , terá de se situar este movimento militar-religioso no espaço e tempo, que teve o seu inicio no séc. XI, em plena Idade Media, teremos de atender ás origens e causas, que originaram os expansionismos territoriais, militares e religiosos da Europa ocidental, que marcaram, social e economicamente e culturalmente, as sociedades da época medieval e deram inicio a uma nova época na Europa ocidental e prepararam o caminho para o Humanismo Renascentista dos séc. XIV e XV.

 Quanto ás origens, certamente estarão relacionados com o tipo de sociedade feudal que caracterizou a Europa ocidental cristianizada, onde o feudalismo acabava por limitar a ascensão social de uma nobreza inferior, que sendo educada para a vida militar, necessitava de quadros políticos e sociais, onde através do seu oficio, poderiam adquirir poder económico e bens patrimoniais. Em épocas de paz esta nobreza originava violências internas nos próprios países e convulsões sociais ou dedicava-se a jogos militares e torneios, que durante a Idade Media obtiveram grande popularidade, mas estas atividades além de que resultaram muitas vezes em perdas de vidas humanas eram reprovadas pela ordem eclesiástica e a Igreja, que através de uma propaganda religiosa tentavam incutir nesta força militar preciosa desígnios de espiritualidade cristã, e que colocassem os seus serviços militares ao serviço de vassalagem á dama celestial (Virgem Maria) e através das cruzadas ou peregrinação a Jerusalém, e estando na disposição de se tornarem mártires em combate com fins de aniquilação dos infiéis, poderiam alcançar a salvação espiritual. 1 Também neste quadro teremos de incluir a influencia da literatura cavaleiresca, e o serviço militar mercenário que foi muitas vezes utilizado nas cruzadas, e a atração pelo oriente e pelas suas maravilhas desconhecidas até então no ocidente europeu.
Outras causas que motivaram as cruzadas em territórios orientais: a reconquista cristã no espaço da Península Ibérica, pois estas incursões militares dos Reis cristãos da península contra os ocupantes islâmicos, não deixaram de ter um cariz de cruzada, pois seriam ações de conquista de território, mas também o eram de um ponto de vista religioso, um combate aos infiéis muçulmanos (guerra santa), o que teve um grande apoio da Igreja de Roma, e serviu de exemplo para as futuras expedições aprovadas e apoiadas pelos papas, que foram as cruzadas. Motivos económicos e objetivos comerciais também estariam na génese das cruzadas, por exemplo, as cidades portuárias comerciais italianas veriam nestas campanhas uma oportunidade de explorarem novas rotas comerciais e instalação de entrepostos, para comercio com povos do oriente e com o Império Bizantino, e um controle do comercio no mar Mediterrânico, pois este estava nas mãos dos povos muçulmanos.  Causas demográficas, como excesso de população e cavaleiros sem terra, que se registava na Europa ocidental, também contribuiu para o espírito de necessidade de cruzadas. Este será o quadro geral e resumido das origens e causas destas peregrinações militares que tiveram o intuito, do ponto de vista religioso, a tomada de Jerusalém, a cidade símbolo do cristianismo, que se encontrava sob domínio muçulmano, do ponto de vista social, a oportunidade de cavaleiros nobres de novas conquistas territoriais e poder económico e estatuto social, na perspetiva de uma burguesia mercantil emergente, na Europa ocidental, novas oportunidades de negocio, para uma população em geral, procura de melhores condições de vida, quando não encontravam meios de subsistência nos seus países de origem, também tentaram a sorte inserida nas cruzadas.
A primeira cruzada terá inicio com o papa Urbano II, que usando o “timing” de um pedido de ajuda do império Bizantino, planeou e organizou a expedição em 1095 no final do concilio de Clermont, e vendo neste momento da História uma janela aberta para a unificação da Igreja cristã, mas antes da cruzada oficial, os plebeus e cavaleiros de baixa estirpe organizaram uma cruzada (cruzada popular)2 á revelia da Igreja, que culminou, num desastre de violência e perdas de vidas humanas, este episódio é um exemplo do misticismo que as cruzadas incutiam na sociedade medieval europeia. A seguir á primeira expedição oficial seguiram-se mais sete com a aprovação dos papas, com intervalos entre si estenderam-se por duzentos anos, e marcaram as sociedades da Europa ocidental, como as do oriente e atingiram territórios da Europa oriental e África. De salientar no âmbito das cruzadas a criação das ordens militares monásticas, como a ordem dos Templários e a dos Hospitalários, entre outras, que tiveram um papel ativo nestas empresas e como consequência atingiram estatuto importante durante esta época da História, respondendo apenas aos Príncipes da Igreja.
 As cruzadas foram um fracasso?
A perda de vidas humanas, e regiões devastadas pela guerra em nome de um fanatismo religioso, custos económicos para os países envolvidos e para a santa Sé que despenderam quantias avultadas na organização, manutenção e abastecimento de grandes exércitos. Os reinos fundados em territórios ocupados pelos cruzados, não tiveram grande êxito, por exemplo, em território muçulmano, e sob a chefia de Saladino que conseguiu reunificar o seu povo e combater os ocidentais na recuperação de zonas ocupadas e iniciar uma reconquista muçulmana. Alguns fracassos estão encontrados.
 As cruzadas foram um sucesso?
A evolução do comercio marítimo e novas rotas comerciais, novos produtos chegam á Europa vindos de terras orientais. A Igreja latina conseguiu-se implantar em algumas regiões e teve alguns efeitos de evangelização junto de populações. Abertura de novos horizontes intelectuais no ocidente europeu devido ao contacto com o conhecimento da Antiguidade grega através das traduções em árabe, e aprendizagem com a ciência muçulmana, novos horizontes geográficos e noção de maior grandiosidade do mundo físico, estes são alguns dos sucessos.
Em suma: se no quadro sociopolítico e económico e talvez religioso, da Idade Media as cruzadas foram um fracasso, no quadro da história da civilização europeia ocidental, abriram-se novos horizontes, novos conhecimentos foram adquiridos, que prepararam o caminho para os séculos seguintes, o Humanismo da Renascença anunciava-se, a história na Europa acontecia, as cruzadas tiveram assim o seu papel contributivo na evolução histórica da Europa e do mundo, por esta perspetiva foram um sucesso.

1 Franco Cardini, "O Guerreiro e o Cavaleiro", in  O Homem Medieval, (ed. Jacques Le Goff), Lisboa, Presença, pp.68

                     
Bibliografia:

BALLARD, M., GENET, J.-Ph., ROUCHE, M.  A Idade Média no Ocidente, dos Bárbaros ao Renascimento,  Lisboa, Ed. D. Quixote, 1994.
CARDINI, Franco, "O Guerreiro e o Cavaleiro", in  O Homem Medieval, (ed. Jacques Le Goff), Lisboa, Presença, pp. 57-78, 1989.
CLARAMUNT, S., PORTELA, E., GONZALEZ, M., MITRE, E. História de la Edad Media, 2ª ed., 5ª reimpr. , Ariel História, Barcelona, 2003.                   
                
NICHOLAS, David. A evolução do mundo medieval, sociedade, governo e pensamento na Europa: 312-1500. Publicações Europa América, Lisboa.
WIKIPEDIA,http://pt.wikipedia.org/wiki/Cruzadas, ( consultado em 25-05-2013).

1 comentário:

  1. pqp pra que ser tao grande, os cara fala q vai resumir e parece q esta reescrevendo a bibla

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