Os pilares basilares em
que a civilização Egípcia assentou a sua estrutura, e que lhe permitiu
evoluírem como sociedade em diversas áreas e atingir uma importância sem igual
na sua época. Os pilares referidos são: o faraó, a administração do país,
em que o Vizir era o representante Máximo e a importância da escrita, em que os
escribas eram os detentores do conhecimento e responsáveis pela sua
aplicação na vida quotidiana dos egípcios.
A monarquia egípcia
deveria ser vista, não como uma instituição, ou um regime político, mas uma
doutrina religiosa, o faraó era considerado pelos seus súbditos como um Deus,
ou o Hórus de ouro, e a partir da V dinastia foi-lhe acrescentado o titulo de
filho de Ré, descendente do Deus solar Ré.
Na administração, o
país estava dividido em distritos, ou nomos, na totalidade de 42 e agrupados em
dois territórios, o Alto Egipto e o Baixo Egipto. Cada nomo era administrado
por um governador, ou (príncipe do nomo), estes eram como pequenos estados
inseridos noutro estado.
Na administração geral
do país, desde a Época Tinita até á XVIII dinastia, o vizir era o intendente
geral do reino, que tinha como funções, o governo de todo o Egipto e
administração da justiça. Este cargo era de tal modo conceituado que respondia
apenas perante o faraó. A sala de audiências onde o vizir tomava as decisões
judiciais como, “a sala das duas Maet”, ou seja, o poder de justiça e a sua
aplicação que o vizir detinha, poderão entender-se como emanada diretamente da
deusa Maet, deusa da justiça e do equilíbrio. Este é um exemplo de que a
religião estava presente em todos os atos da vida egípcia.
Outra característica da
antiga civilização egípcia foi o uso da escrita e a sua evolução, a partir da
XII dinastia para reforçar a imagem do Faraó, que no I Período Intermédio foi
enfraquecendo, recorreu-se a textos e inscrições para se entrar num sistema de
literatura orientada para exaltar a monarquia e o sistema.
Este é um exemplo de
que a escrita na época da antiga civilização egípcia foi usada pelo sistema
político para propaganda, mas esta também foi usada amplamente em textos religiosos
e utilizada pelo aparelho do estado nas suas funções. Escrita esta que começou
por ser figurativa, mas os seus caracteres hieroglíficos foram-se alterando e a
escrita evoluiu para uma escrita cursiva ou hierática, que a partir do séc. X
a.C., começou a ser utilizada em textos religiosos. Outra variante desta
evolução foi a escrita demótica, esta mais usual na administração pública.
Não podemos dissociar a
importância da escrita do não menos importante cargo de escriba, esta função na
sociedade egípcia era muito conceituada, pois detinham o saber e estavam
preparados para desempenhar funções no estado e autoridade. Inicialmente as
escolas dos escribas estavam ligadas á corte, mas generalizou-se aos templos e
as instituições ligadas á administração publica também as possuíram com a
finalidade de preparar futuros quadros.
Neste contexto, de
existência deste binómio, escrita e escola de escribas, desenvolveu-se
naturalmente a literatura, que foi tomando lugar importante na cultura Egípcia
da Antiguidade, os primeiros textos literários, remontam ao princípio do III
milénio com os textos das pirâmides, (inscrições gravadas nas câmaras
subterrâneas da pirâmide de Unas), textos estes que recorreram à técnica do
paralelismo. No Império Antigo, outros géneros literários nos chegaram, como:
os hinos de louvor aos deuses e diálogos mitológicos, e a literatura
sapiencial, que não são mais do que a transmissão de conhecimentos entre
gerações, e as biografias. No I período intermédio,
podemos destacar a obra clássica “o ensinamento de Kheti III” destinada ao
filho Merikaré. no Império Médio, o teatro e a biografias
romanceadas, e a literatura pessimista (o diálogo do desiludido) são géneros
literários que se evidenciaram. No Império Novo, as
obras que exemplificam a literatura desta época destacam-se o poema de Pentaur,
sobre a batalha de Cadesh, e inserido na literatura sapiencial, o ensinamento
de Anii, e o ensinamento de Amenemope, também de referir o hino a Aton de
Akhenaton, e o poema amoroso de Amenófis IV, dedicado á sua esposa Nefertiti.
Em síntese, a
literatura teve uma grande influência na cultura antiga egípcia, e é através
dela que nos chega o conhecimento sobre esta apaixonante civilização, os seus
usos e costumes, pensamentos e religião, que foram gravados em Hieróglifos nas
pedras tumulares ou em papiros.
Bibliogafia:
TAVARES, Antonio
Augusto , CIVILIZAÇÕES PRÉ-CLASSICAS, Universidade Aberta, 1995.


Sem comentários:
Enviar um comentário