terça-feira, 1 de outubro de 2013

Os Pilares Basilares da Antiga Civilização Egípcia


   Os pilares basilares em que a civilização Egípcia assentou a sua estrutura, e que lhe permitiu evoluírem como sociedade em diversas áreas e atingir uma importância sem igual na sua época. Os pilares referidos são: o faraó, a administração do país, em que o Vizir era o representante Máximo e a importância da escrita, em que os escribas eram os detentores do conhecimento e responsáveis pela sua aplicação na vida quotidiana dos egípcios.
   A monarquia egípcia deveria ser vista, não como uma instituição, ou um regime político, mas uma doutrina religiosa, o faraó era considerado pelos seus súbditos como um Deus, ou o Hórus de ouro, e a partir da V dinastia foi-lhe acrescentado o titulo de filho de , descendente do Deus solar Ré.
    Na administração, o país estava dividido em distritos, ou nomos, na totalidade de 42 e agrupados em dois territórios, o Alto Egipto e o Baixo Egipto. Cada nomo era administrado por um governador, ou (príncipe do nomo), estes eram como pequenos estados inseridos noutro estado.
    Na administração geral do país, desde a Época Tinita até á XVIII dinastia, o vizir era o intendente geral do reino, que tinha como funções, o governo de todo o Egipto e administração da justiça. Este cargo era de tal modo conceituado que respondia apenas perante o faraó. A sala de audiências onde o vizir tomava as decisões judiciais como, “a sala das duas Maet”, ou seja, o poder de justiça e a sua aplicação que o vizir detinha, poderão entender-se como emanada diretamente da deusa Maet, deusa da justiça e do equilíbrio. Este é um exemplo de que a religião estava presente em todos os atos da vida egípcia.
 
    Outra característica da antiga civilização egípcia foi o uso da escrita e a sua evolução, a partir da XII dinastia para reforçar a imagem do Faraó, que no I Período Intermédio foi enfraquecendo,  recorreu-se a textos e inscrições para se entrar num sistema de literatura orientada para exaltar a monarquia e o sistema. 
    Este é um exemplo de que a escrita na época da antiga civilização egípcia foi usada pelo sistema político para propaganda, mas esta também foi usada amplamente em textos religiosos e utilizada pelo aparelho do estado nas suas funções. Escrita esta que começou por ser figurativa, mas os seus caracteres hieroglíficos foram-se alterando e a escrita evoluiu para uma escrita cursiva ou hierática, que a partir do séc. X a.C., começou a ser utilizada em textos religiosos. Outra variante desta evolução foi a escrita demótica, esta mais usual na administração pública.
 
    Não podemos dissociar a importância da escrita do não menos importante cargo de escriba, esta função na sociedade egípcia era muito conceituada, pois detinham o saber e estavam preparados para desempenhar funções no estado e autoridade. Inicialmente as escolas dos escribas estavam ligadas á corte, mas generalizou-se aos templos e as instituições ligadas á administração publica também as possuíram com a finalidade de preparar futuros quadros.
 
    Neste contexto, de existência deste binómio, escrita e escola de escribas, desenvolveu-se naturalmente a literatura, que foi tomando lugar importante na cultura Egípcia da Antiguidade, os primeiros textos literários, remontam ao princípio do III milénio com os textos das pirâmides, (inscrições gravadas nas câmaras subterrâneas da pirâmide de Unas), textos estes que recorreram à técnica do paralelismo. No Império Antigo, outros géneros literários nos chegaram, como: os hinos de louvor aos deuses e diálogos mitológicos, e a literatura sapiencial, que não são mais do que a transmissão de conhecimentos entre gerações, e as biografias. No I período intermédio, podemos destacar a obra clássica “o ensinamento de Kheti III” destinada ao filho Merikaré.  no Império Médio, o teatro e a biografias romanceadas, e a literatura pessimista (o diálogo do desiludido) são géneros literários que se evidenciaram. No Império Novo, as obras que exemplificam a literatura desta época destacam-se o poema de Pentaur, sobre a batalha de Cadesh, e inserido na literatura sapiencial, o ensinamento de Anii, e o ensinamento de Amenemope, também de referir o hino a Aton de Akhenaton, e o poema amoroso de Amenófis IV, dedicado á sua esposa Nefertiti.
 
    Em síntese, a literatura teve uma grande influência na cultura antiga egípcia, e é através dela que nos chega o conhecimento sobre esta apaixonante civilização, os seus usos e costumes, pensamentos e religião, que foram gravados em Hieróglifos nas pedras tumulares ou em papiros.
Bibliogafia:
 TAVARES, Antonio Augusto , CIVILIZAÇÕES PRÉ-CLASSICAS, Universidade Aberta, 1995.

 

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